DOBRA, de Alice Jardim

still do video Todavia de Alice Jardim.

A velocidade presente na contemporaneidade faz com que, ao mesmo tempo que o acesso seja rápido, a experiência seja também momentânea. Como consequência, a paisagem urbana passa a ser produto de um instatâneo, acompanhando o ritmo frenético da sociedade e transformando as relações entre o homem e o seu espaço.

Nesse sentido, a questão dos fluxos e movimentos urbanos é posta em discussão em DOBRA, exposição de Alice Jardim em cartaz na Pinacoteca Universitária.

A série surgiu a partir de uma inquietação da artista de reflexão incansável sobre o fenômeno urbano, fruto da sua formação em Arquitetura e Urbanismo. Alice se debruça sobre o tema do espaço, quando qualificado esteticamente, ou seja, quando existe enquanto paisagem, investigando seu cotidiano e as transformações urbanas contemporâneas.

A rotina diária nem sempre nos permite perceber as mudanças na paisagem. Muitas vezes precisamos nos deslocar do espaço em que vivemos para vislumbrar essas modificações. São essas nuances que a mostra nos permite contemplar; e do alto, a cidade se revela como território a ser explorado.

DOBRA propõe uma reflexão da cidade a partir de seus fluxos e através da criação de cenários urbanos imaginários, mostrando-nos uma cidade observada como um jogo de reprodução de luz.

Apresentando um movimento vital e intrínseco ao fenômeno urbano, a dobra surge da quadruplicação de uma mesma imagem compondo novas imagens, que nos apresenta novos espaços e novas temporalidades. Aceleração ou desaceleração dos fluxos? – Questiona-se ao espectador que alimenta essa dinâmica.

A cidade é apresentada a partir das dobras que poderiam não acabar naquele espaço delimitado, ficando uma impressão de que poderiam ser continuamente redobradas, ao infinito. Assim, nos remete ao barroco e sua intensão ilusória, na criação de cenários, cujo traço, segundo Deleuze é a dobra que vai ao infinito e onde a desbobra segue uma dobra até a outra dobra.[1]

O cenário apresentado, criado ou recriado em DOBRA, é Maceió. Deslocando do ponto de vista usual, observa-se a cidade e suas transformações. Maceió dobra, desdobra e se multiplica; apresenta-se em composições geométricas e mostra o seu senso de urbanidade, igualando-se à uma imagem de metrópole.

As composições que delineam a cidade a partir das luzes são ilusões montadas com imagens reais. Como o universo e suas constelações, a cidade também mostra-se como organismo vivo. A cada movimento surgem combinações variadas, onde a proposta é a abstração dos elementos da cidade apresentados pelo imaginário artístico.

Flávia Cerullo

* Texto extraído do projeto que concorreu ao edital da Pinacoteca Universitária em 2012.

** A Exposição Dobra, de Alice Jardim, estará na Pinacoteca Universitária até o dia 29 de junho de 2012.


[1] DELEUZE, Gilles. A dobra: Leibiniz e o barroco. Campinas: Papirus, 1991.

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