Estão tentando nos convencer de que a culpa é nossa

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Fui assaltada e a culpa deve ser minha, afinal estava tirando fotos, falando no celular, viajando de carro. Fazendo qualquer coisa aparentemente normal, mas que nos dias de hoje nos causa permanente preocupação.

A preocupação é nossa, de nossos familiares e, cotidianamente, ouvimos várias coisas do tipo “não ande sozinha”, “não passe por tal lugar”, “não use tal equipamento eletrônico”, não, não, não.

Devemos então ficar cercados em nossas casas? Em condomínios fechados? Protegidos por cercas elétricas, seguranças armados.

Já estamos fazendo isso, e está resolvendo o problema? Estamos deixando de ser lesados?

Mas de quem é a culpa?

De qualquer um que não seja responsável pela falta de educação, de segurança pública, de uma política eficiente de combate às drogas…

A verdade é que fui mesmo assaltada. Estava tirando fotos no centro de Recife para uma pesquisa acadêmica. Mas ao contrário do que estão tentando me fazer acreditar, não acho que a culpa seja minha. Não acho que devemos nos privar do que precisamos ou queremos fazer. É verdade que sou um alvo fácil, mas muitos outros também o são, e o que devemos fazer?

Pensando em trabalhar, em viver apenas em lugares “seguros” me vem à cabeça uma pergunta para a qual eu teria resposta na ponta da língua após meus anos dedicados ao urbanismo: E a cidade é de quem? Infelizmente a resposta óbvia não aparece na prática.

O ditado popular “a ocasião faz o ladrão” sempre me soou mais como o tal “jeitinho brasileiro” para mascarar mais um problema da nossa sociedade. O que faz o ladrão é a falta de educação e a impunidade.

O fato é que enquanto estivermos colocando a culpa nas pessoas erradas não encontraremos solução para os problemas.

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One response to “Estão tentando nos convencer de que a culpa é nossa”

  1. Renan Silva says :

    A violência é construída historicamente. O ladrão não nasce com a oportunidade de sê-lo, nasce muito antes, na falta de oportunidade de ser outra coisa. É claro que há muitos que escolhem deliberadamente aproveitar-se dos outros em prol de seus gozos pessoais, mas esta é uma minoria.
    De quem é a cidade? é uma boa pergunta Flavinha…
    O que deveria ser “de todos”, parece ser cada vez mais “de ninguém”…

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