Archive | agosto 2013

A sociedade do proibido

Olá, pessoal! O blog andava meio parado e eu resolvi movimentar. Cheguei dos EUA com vontade de desabafar!

Cheguei e vi que nossa economia portou-se melhor do que a deles nesse último trimestre. Que alegria, não? Pois é! Será que um dia atingiremos o nível de desenvolvimento deles? Veremos (ou não)!

Minha posição sobre o que vou falar é polêmica, mas, como sempre digo, nunca tenho a intenção de convencer ninguém de que estou certa. Minha intenção é, apenas, a de suscitar o debate, que é importante para que nos desenvolvamos (até, quem sabe, virarmos uma nação desenvolvida!).

Enfim, cheguei e não vi só a reportagem sobre a economia. Vi também uma enquete sobre a possibilidade de as lanchonetes de escolas servirem coxinha e refrigerante para as crianças. A pergunta era: Você acha correta a proibição de servirem nas lanchonetes das escolas frituras e refrigerantes?

Óbvio que a maioria das pessoas respondeu sim, afinal de contas, fritura e refrigerante “fazem mal à saúde”. Dos adultos, avaliem das crianças. O apelo é inegável. O placar estava 79% para o sim!!

O que eu penso, claro, que é o contrário. Se não, não teria feito a ressalva acima.

Tenho verdadeira agonia a essa tendência brasileira de resolver tudo com leis, que se tornam, na maioria das vezes, letra morta.

Não uso drogas não porque elas são proibidas, mas sim, porque são nocivas e eu sei disso, assim como frituras e refrigerantes (guardadas as devidas proporções!). E como eu sei disso, passo (ou tento passar) o que sei para meu filho (e, lógico, ele vai poder seguir ou não, de acordo com seu livre arbítrio).

Por que temos que ter uma lei indicando o que meu filho deve ver na televisão, em que série ele deve estar, o que ele deve comer? Por que temos que delegar ao Estado uma função que seria nossa, de pais, de cidadãos?

O McDonalds não pode vender os lanches com bonecos porque eu não quero ter que dizer não ao meu filho. Está certo isso?

Se a lei resolvesse, o país não estaria dominado pelo crack e nas mãos de traficantes (se você não sabia disso, melhor correr atrás de informações). Já está claro que a proibição, não é o caminho, deveria, sim, antes de ser a causa, ser, apenas, a consequência.

Os que defendem a posição contrária dizem para mim: aah, você faz, você sabe, mas tem gente que não faz, que não sabe. Ok, daí criamos leis para defender as pessoas delas mesmas? É esse o caminho?

Para não deixar o post tão longo que ninguém iria ler, digo logo que eu penso que não. Penso que esse caminho valoriza a incompetência, a fuga das responsabilidades.

E penso, ainda, que é por isso que a estrada para que nos tornemos uma nação desenvolvida é bem mais longa do que deveria, considerando nossa economia.

Que tal tomarmos as rédeas da nossa vida e deixarmos para o Estado as atividades de que ele deve cuidar por natureza e negligencia, como segurança, saúde, educação de qualidade?  Aliás, é justamente a falta dessa última que dá aos que são favoráveis a esse excesso de regulamentação a justificativa para seu posicionamento. É um círculo vicioso.